A verdade sobre o divórcio após os 40, que ninguém te contou (e que pode salvar o teu próximo relacionamento.

Isto é o que te contam – e tu acreditas. Mas essa é apenas a parte mais pequena da verdade.
Portugal regista uma realidade cada vez mais evidente: o divórcio após os 40 – e especialmente a partir dos 50 – é uma tendência consolidada e em crescimento. Calcula-se que, dos cerca de 20 mil divórcios anuais no país, seis mil envolvem casais com mais de 50 anos, o que representa cerca de 30% do total.
Fonte: INE, INE | DGPJ/MJ, PORDATA
Este fenómeno, que se tornou mais expressivo na última década, é impulsionado por uma conjugação de fatores. A maior longevidade, a independência financeira dos cônjuges (com o crédito da casa frequentemente já pago e os filhos maiores) e a emancipação de valores socialmente mais conservadores criam as condições para que muitos casais, chegados a esta fase da vida, decidam que não faz sentido continuar a viver juntos se a relação deixou de os preencher.
As causas para esta ruptura são múltiplas: o distanciamento lento que se instala com o tempo, as diferenças de carácter que se acentuam, os desalinhamentos na gestão do dinheiro quando os rendimentos mudam ou, até, a procura de superação pessoal, em que um dos cônjuges busca recomeçar. O divórcio após os 40 é menos visto como um fracasso e mais como uma oportunidade para uma “segunda vida“.
Sobre o divórcio após os 40, nada do que foi apresentado acima é mentira, mas acredita, isso é apenas a superfície e as consequências. Vamos nos aprofundar nas causas para evitar tropeçar na mesma pedra – como diria Júlio Iglésias?
Não Foste Tu que achaste que a Experiência de Vida e o Sexto Sentido Eram Suficientes?
Quem boa cama faz, nela se deita.
Quantos divórcios são precisos até perceberes que o problema não é o caráter dos outros, mas as tuas escolhas?
O divórcio após os 40, é um padrão que se repete. Pessoas que se se separam aos 40, 50, ou mesmo aos 60. Pessoas que “não aguentam mais” e decidem recomeçar. E anos depois, voltam à estaca zero.
A verdade que ninguém conta é que a razão para o insucesso relacional e para o divórcio após os 40, não é a tal “incompatibilidade de caracteres“, a rotina, a gestão do dinheiro – ou a falta dele – ou a crise de meia-idade. É algo mais profundo e, muitas vezes, invisível.
Vamos ser diretos: já tiveste relacionamentos que correram mal. Talvez um, talvez dois, talvez três. E em cada um deles, juraste que “desta vez ia ser diferente“.
E agora? Aqui estás tu, a ler este artigo sobre o divórcio após os 40. A perguntar-te o mesmo de sempre:
“O que é que eu estou a fazer de errado?“
A resposta pode doer. Mas, se não a ouvires agora, vais continuar a repetir o mesmo filme. E já sabes como é que o filme acaba.
A arrogância de achar que a “experiência de vida” e o “sexto sentido“ são suficientes.
“Eu tenho um sexto sentido para as pessoas”; “a minha experiência de vida já me ensinou o que eu preciso saber”; “A minha intuição nunca falha.”
Já ouviste isto? Talvez até tenhas dito. É confortável acreditar que o teu instinto te protege.
O problema é que o instinto é alimentado pelo teu ego. E o ego é alimentado pelo que tu achas que sabes e/ou que mereces – não pelo que realmente precisas. Achar que que o “sexto sentido” é suficiente na escolha para um relacionamento é arrogância misturada com ignorância. Resultado? Contínuas a repetir os mesmos erros. A escolher as mesmas pessoas. A terminar sempre da mesma maneira. E chamas a isso “destino”, “azar” ou “castigo”.
O divórcio após os 40, não é destino, azar ou castigo. É só a tua falta de preparação aos 20. Ponto final!
Quem é a única pessoa presente em todos os teus relacionamentos falhados?
Esta verdade é dura. Mas precisas de ouvi-la: o fator comum em todos os teus relacionamentos mal-sucedidos és tu.
E isso não é uma acusação. É uma oportunidade.
Se és tu o fator comum, então és tu quem tem o poder de mudar. Mas para mudar, precisas de mais do que “experiência de vida” e “intuição” precisas de PREPARAÇÃO.
Precisas de:
- Saber quais são – realmente – os teus valores pessoais – e não os que achas que tens.
- Saber quais são as tuas linguagens afetivas – o que te faz sentir amada(o), valorizada(o) e desejada(o).
- Saber quais são os teus padrões de escolha – porque andas a escolher sempre o mesmo perfil de pessoa.
E precisas de saber tudo isto antes de voltares a te relacionar, porque depois de te apaixonares, vai ser tarde demais e vai durar até o teu próximo divórcio.
Quem boa cama faz, nela se deita
Este provérbio é antigo. Mas continua atual.
- Se não te preparaste para o teu casamento, não te queixes de te dar mal nele.
- Se não investigaste os valores pessoais da pessoa com quem te envolveste, não te surpreendas por ela não partilhar dos teus.
- Se não conheces as tuaspróprias linguagens afetivas nem as do outro, não te surpreendas por não te sentires amada(o), valorizada(o) e desejada(o) e ainda por cima ouvires do outro que ela(e) também se sente como tu, decepcionada(o)
Quem escolhe com pressa, tropeça e acaba escolhendo com dor.
E depois dos 40, o preço de uma escolha errada é demasiado alto. Anos perdidos. Dinheiro gasto em divórcios. Terapia. Noites em claro. Filhos/netos magoados. Autoestima destruída.
Tudo porque confiaste na “experiência” e no “sexto sentido“. Tudo porque achaste que já sabias tudo.
A preparação não é para fracos. É para quem quer acertar.
Se há uma lição que eu aprendi com três divórcios, é esta:
As escolhas no relacionamento não se fazem com palpite. Se fazem com critério.
A informação, interna e externa, é o antídoto para o medo e a confusão. O que é conhecido não assusta. O que é compreendido não se repete.
Os divórcios que tiveste e o teu próximo relacionamento têm exatamente o mesmo fator em comum: a forma como te preparaste (ou não) para eles.
- Se continuares a confiar na sorte, o próximo relacionamento será mais uma repetição do filme. Se começares a preparar-te, ele pode ser o último.
Porque é que a preparação é mais importante do que parece
Imagine que ia comprar uma casa sem fazer uma vistoria técnica. Ou que contratava um funcionário sem pedir um currículo. Ou que começava um negócio com um sócio sem olhar para os números.
Parece absurdo, não é?
Mas é exatamente o que a maioria das pessoas faz quando escolhe alguém para partilhar a vida. Não há uma “vistoria técnica” aos valores pessoais, às expetativas de vida a dois, à visão de futuro. Não há um “currículo de relacionamento” que mostre quem a pessoa realmente é e o que ela pretende.
Depois, quando o relacionamento desmorona, a surpresa é geral. Mas a verdade é que os sinais estavam lá – estavam apenas invisíveis para quem não tinha os óculos certos para os enxergar.
A escolha é tua
Podes continuar a acreditar que o teu “sexto sentido” te protege.
Ou podes, finalmente, dar ao teu próximo relacionamento o que ele realmente merece: preparação, critério e a certeza de que a escolha que fizeste foi informada.
Porque, no fundo, já sabes como é que o filme acaba quando não há preparação. Já viste esse filme. Várias vezes. Depende de ti decidir se queres continuar a vê-lo, ou se estás pronto para escrever um novo roteiro com um fim diferente.
A preparação que fazes hoje é a diferença entre o teu passado e o teu futuro.

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“Feliz será aquele que olhar para o relacionamento não como um/a artista imaginando a sua futura obra, mas como um/a engenheiro/a avaliando a estrutura de uma casa pensando na dureza dos invernos que hão de vir.” Brígido Silva
Brígido Silva
Mentor e fundador do Laboratório do Relacionamento 40+
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